A dversário político em meu dicionário não é sinônimo de inimigo. Divirjo de ideias, de propostas, de entendimento, de posicionamentos ideológicos, filosóficos e religiosos. Discordância e concordância são palavras cognatas que derivam de uma mesma origem etimológica. Discordo, sou convencido, concordo.
Pelo diálogo é possível transformar um adversário em aliado; é possível convencer um eleitor a abraçar sua causa; é possível estabelecer consenso em torno de um projeto de interesse comum: o bem-estar social, econômico e financeiro de todos.
A escolha do prefeito não acontece em uma arena entre gladiadores. O vencedor não será aquele que tem a torcida mais estridente e muito menos aquele que mais mente, difama, ataca, critica e menos se compromete com a cidade e sua população. Os cidadãos e cidadãs votantes querem propostas e motivos para acreditar em seus proponentes.
A pré-campanha já começou e os pré-candidatos já estão nas ruas. Essa fase é marcada por visitas às comunidades, interação com lideranças populares, excesso de ingestão de café, reuniões e, claro, muitos abraços afetuosos e os tradicionais tapinhas nas costas.
É tempo de eleição e eleição é sempre um espetáculo democrático que não garante a escolha de um gestor comprometido com os postulados da democracia. O bom da eleição é a campanha eleitoral. Gente na rua, carro de som, reuniões, palestras, discursos, panfletos, santinhos, promessas. Todos os candidatos tiram da cartola a solução mágica para todo e qualquer problema que afeta a população. Uma panaceia!
Cabos eleitorais mais afoitos não se limitam a destacar as virtudes de seus candidatos, gostam mesmo é de realçar os defeitos dos adversários. E todo adversário é um poço sem fim de defeitos. Se o adversário é candidato à reeleição, logo alguém grita: não fez nada, foi um anátema. Não merece continuar.
Se o adversário é novato na política, então é inexperiente, imaturo e despreparado para exercer o cargo que disputa. O candidato geralmente é confundido com seus apoiadores, como se o naufrago pudesse escolher o tipo de embarcação para salvá-lo.
Alguém já disse que na guerra e na política o primeiro a morrer é a verdade. Mas também já foi dito ser possível votar e defender um candidato sem ser coveiro da verdade.
Tangará da Serra é a mais importante cidade do Sudoeste mato-grossense. Tem uma população superior a 120 mil habitantes, uma base econômica sólida e um futuro promissor. É uma cidade polo. Referência em educação e prestação de serviços. Seu potencial turístico é uma riqueza a parte.
Mas nem tudo é bonança e prosperidade no alto da Serra de Tapirapuã. A cidade corre atrás do tempo perdido. Foi mais de uma década de confusão e instabilidade política. Durante esse período de triste memória gestores populistas e demagógicos frequentavam com assiduidade as páginas policiais e brilhavam no polo passivo de ações penais. Crimes foram cometidos aos borbotões contra a administração pública.
A população aprendeu a dura lição; amadureceu; se tornou experiente e cônscia de que política se faz com sensatez, racionalidade e bom senso. Tangará da Serra se tonou em terra árida e infértil para vigaristas e pilantras de plantão. A campanha eleitoral que se avizinha deve se desenvolver sem transbordar dos marcos da civilidade. Quem apostar na baixaria, nas intrigas e nas ofensas pessoais já perdeu por antecipação.
Se criticar, contestar, reivindicar e questionar é próprio da democracia, o jogo sujo e mesquinho irrigado por fofocas e intrigas é típico dos grotões do atraso e da ignorância. Afinal, em uma sociedade civilizada e culta como a nossa já é possível fazer política sem baixaria, agressões e ofensas pessoais. Ou não?
Edésio Adorno é advogado militante em MT e reside em Tangará da Serra. E-mail:
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