Cigarro mata 5 milhões de pessoas por ano
Nesta sexta-feira (31) será comemorado o Dia Mundial Sem Tabaco. A data serve de alerta para as estatísticas alarmantes do tabagismo. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), diariamente, 100 mil crianças tornam-se fumantes em todo o mundo. Além disso, o Ministério da Saúde calcula que, aproximadamente, cinco milhões de pessoas morrem, por ano, em decorrência de doenças ligadas ao tabagismo. Se o consumo de produtos como cigarros, charutos e cachimbos não diminuir, esse número aumentará para 10 milhões de mortes anuais por volta do ano 2030.
O Ministério da Saúde alerta que se o consumo de tabaco não diminuir, esse número aumentará para 10 milhões de mortes anuais por volta de 2030
A OMS estima que 1,2 bilhão da população mundial adulta seja fumante. No Brasil, a pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), realizada pelo Ministério da Saúde, indica que 14,8% da população são fumantes, sendo que 18% são homens e 12% mulheres. No Distrito Federal, 14% de pessoas maiores de 18 anos fazem uso de cigarro.
A cardiologista Marly Uellendahl, do laboratório Cedic Cedilab, considera o tabaco o principal fator de risco, evitável, para as doenças cardiovasculares. “O fumo aumenta consideravelmente a chance de se ter um infarto do miocárdio, além de provocar inúmeras outras doenças, como o câncer”, explica a médica.
Os fumantes passivos não estão de fora das estatísticas alarmantes do tabagismo. Segundo a Vigitel, 11,8% dos brasileiros fumam passivamente no domicílio e 12,2% no trabalho. “Eles têm contato direto com 30 substâncias cancerígenas presentes na fumaça do cigarro. Além disso, o risco de um fumante passivo desenvolver um infarto do miocárdio é 25% maior do que a população não fumante e 30% maior de ter câncer de pulmão, entre outras doenças”, destaca Marly.
Ela acrescenta que os programas de educação sobre os riscos do tabagismo e as medidas restritivas como a Lei Antifumo, aprovada em 2010, pode contribuir na redução do consumo de tabaco e evitar, também, os efeitos do fumo passivo.
Para isso, a cardiologista acredita que alguns mitos sobre o cigarro devem ser debatidos. “Na verdade, não há diferenças nos riscos à saúde entre as diferentes marcas de cigarro, nem entre os supostos cigarros com alto e baixo teor de nicotina, ou seja, não existem níveis seguros para o consumo de alcatrão, monóxido de carbono e nicotina”, esclarece.
Saiba mais:
- a fumaça do cigarro possui 4.720 substâncias químicas nocivas e pelo menos 60 delas são reconhecidamente cancerígenas, além de irritantes e tóxicas ao pulmão;
- crianças que convivem com fumantes têm incidência maior de doenças alérgicas e respiratórias, como a asma, pneumonia, sinusite e alergia;
- fumar causa doença vascular que pode levar à amputação de dedos e pernas;
- ao fumar você inala arsênico e naftalina, também usados como veneno de ratos e baratas;
- fumar causa câncer de laringe, câncer de pulmão, câncer de boca, entre outros;
- em gestantes, o ato de fumar pode resultar em partos prematuros, aborto espontâneo e o nascimento de crianças com anomalias e de baixo peso;
- o uso de tabaco obstrui as artérias, dificulta a circulação do sangue, leva ao enfisema pulmonar, à perda dos dentes e causa morte por doenças do coração.