Após deixar prisão, João Emanuel se considera “preso político” e critica a Justiça

Imprimir
+ Política
Sexta, 28 Março 2014 | MIDIA NEWS
Com o habeas corpus, o vereador João Emanuel vai responder ao processo em liberdadeCom o habeas corpus, o vereador João Emanuel vai responder ao processo em liberdadeEm entrevista à imprensa após sair da prisão, no começo da noite desta sexta-feira (28), o vereador por Cuiabá João Emanuel (PSD) afirmou que foi “vítima de uma decisão ilegal” e que se considera um “preso político”.

O parlamentar estava preso na Polinter desde a manhã de quarta-feira (26), por decisão judicial de Selma Rosane Arruda, da Vara Especializada contra o Crime Organizado. 

Ele foi liberado após o desembargador Gilberto Giraldelli, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, conceder um habeas corpus.
O ex-presidente da Câmara Municipal de Cuiabá é acusado pelo Ministério Público Estadual, na Operação Aprendiz, de liderar uma organização criminosa que teria cometido crimes como estelionato e falsidade na escrituras de terrenos. 
João Emanuel disse achar “suspeito” ter sido preso um dia após vários veículos de comunicação terem divulgado um vídeo, supostamente pertencente ao Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco), em que uma testemunha, da referida operação, confessava que ele seria inocente.

“Nós temos até informações de que o próprio Gaeco pode vir a ter membros como candidatos. Isso é o que corre nos bastidores. Vazam informações para a imprensa, vazam vídeos para a imprensa, não juntam esse material no processo, não nos dão informação”, disse o vereador.

A atuação do Gaeco no caso foi duramente criticada pelo parlamentar, que acredita existir uma tentativa de denegrir a sua imagem.

“Podem ter certeza que não vão parar por aí. Lançam denúncias, vídeos, tentam atrapalhar a nossa comunicação para que a sociedade crie a imagem de um monstro para com a minha pessoa”, declarou.

Por orientação do advogado Eduardo Mahon, que faz sua defesa, João Emanuel optou por não comentar sobre o teor dos fatos imputados a ele, pois ainda não teria tomado conhecimento da denúncia porque estava na prisão.

“Juridicamente, nós vamos comprovar que sempre agimos pautados na legalidade”, resumiu.

Dias na cela

Se autointitulando um “preso político”, ele também reiterou que, na terça-feira (25), havia se apresentado à juíza Selma Arruda para qualquer colaboração ou esclarecimento, o que tornaria desnecessária a determinação da magistrada em mandar prendê-lo.

“Estava perto de casa e fui preso por quase 30 pessoas. Tenho residência fixa, não tenho interesse em me evadir de Cuiabá, tenho profissão aqui. Essa prisão não atendeu nenhum dos requisitos do Código de Processo Penal”, criticou.

No momento da prisão, segundo o vereador, ele não foi informado sobre a motivação de estar sendo levado à unidade prisional.

“Não havia a determinação junto com o mandado de prisão. Só fui saber horas depois. Fui preso e não soube nem o porquê”, disse João Emanuel.

No tempo em que permaneceu detido, o vereador dividiu a cela com o ex-deputado federal Pedro Henry, condenado no Escândalo do Mensalão.

“Fui tratado como um preso comum, fiz minhas necessidades no banheiro comum, como todo mundo. Dormi na mesma cela que o ex-deputado federal Pedro Henry. Ele dormia na parte de cima e eu embaixo”, contou.

Entenda a prisão

João Emanuel foi preso na quarta-feira passada, dia 26, por ordem da juíza Selma Rozane Arruda.

A magistrada entendeu que, no pedido feito pelo Ministério Público Estadual, havia "sérios indícios de que estes acusados reiteram na prática de delitos com uma frequência espantosa e a reiteração criminosa é, sim, fator preponderante para autorizar o decreto de prisão preventiva".

Além de João Emanuel, foram decretadas as prisões de Amarildo dos Santos, Marcelo de Almeida Ribeiro e André Luiz Guerra Santos. Das quatro prisões preventivas, duas não foram cumpridas, a de Marcelo de Almeida e André Luiz.

Também foram apontados como participantes do grupo de vereador, Pablo Noberto Dutra Caires, Érica Patrícia Cunha da Silva Rigotti, Mário Borges Junqueira e Evandro Vianna Stábile.

Todos os acusados foram denunciados pelo Ministério Público.

O caso

No dia 28 de novembro de 2013 o Gaeco deflagrou a Operação Aprendiz para o cumprimento de oito mandados de busca e apreensão.

Entre os lugares que foram alvos da operação estavam a Câmara Municipal de Cuiabá, a residência do então presidente João Emanuel, a gráfica Propel, o cartório Segundo Serviço Notarial e Registral de Várzea Grande, um escritório de contabilidade, e três residências na capital.

O MPE ouviu o vereador, o advogado e contador Marcos David Andrade, Amarildo dos Santos, Evandro Vianna Stábile Filho, Marcelo de Almeida Ribeiro e André Luiz Guerra Santos. Todos apontados pelo Ministério Público como supostos participantes de uma quadrilha que tinha como objetivo desviar dinheiro público da Câmara de Vereadores

João Emanuel também foi acusado de se envolver em um esquema de falsificação de documentos de terrenos. Os imóveis, com os documentos falsificados, seriam utilizados como garantia para agiotas na captação de dinheiro para sua futura campanha para deputado em 2014.

Entre as provas apresentadas pelo Gaeco contra o vereador está o vídeo gravado por uma das supostas vítimas de João Emanuel.

A investigação do Gaeco, até o momento, aponta que os terrenos seriam pagos aos proprietários com oferta de participação em processos licitatórios fraudados na Câmara Municipal.

 

 
 
 
 
 
 
 
 
Joomla 1.6 Templates designed by Joomla Hosting Reviews