Durante entrevista, Luciane Bezerra diz que fazer oposição em Mato Grosso é chutar cachorro morto

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Segunda, 20 Maio 2013 | MÍDIA NEWS
Luciane Bezerra entrou na política em 2010, segundo ela própria, como 90% das mulheres entram: quando, por algum motivo, o marido, já envolvido no meio, não pode concorrer à eleição. Se foi por acaso que entrou, não é por acaso que permanece. 

Até a semana retrasada, ela era a única deputada estadual na Assembleia Legislativa a compor o quadro com mais 23 parlamentares homens. 


Agora, divide o posto com Teté Bezerra (PMDB), que estava licenciada como titular da Secretaria de Turismo e Desenvolvimento (Sedtur) e teve que voltar às pressas porque seu suplente, Adalto de Freitas (PMDB), estava “cutucando” demais o Governo de Silval Barbosa (PMDB), do qual faz parte. 

As “cutucadas” também são um forte de Luciane. Parte de uma fraca oposição – composta ainda por Márcio Pandolfi (PDT) e Ademir Brunetto (PT) –, a deputada critica o modus operandi de Silval e afirma que, se a Assembleia tivesse mais parlamentares oposicionistas, a condução do Estado seria mais criteriosa. 

“Fazer oposição hoje é chutar cachorro morto. Você chuta, chuta e não tem reação nenhuma, não melhora em nada. Nós estamos sem saber o que faz para poder ajudar o Governo, que não apresenta resultado. Queremos ajudar e não vemos feedback”, disse. 

Em vias de ser a presidente da Mobilização Democrática (MD) em Mato Grosso, novo partido criado da união de PPS com PMN, a deputada quer fortalecimento e foco em 2014. 

“Nós nascemos muito mais fortes do que os partidos anteriores ao MD e, claro, nosso projeto é a eleição do próximo ano, em que queremos [o senador] Pedro Taques ao Governo. Se não der, vamos tentar sem ele”, observou. 


Confira os principais trechos da entrevista de Luciane Bezerra ao MidiaNews. 

MidiaNews – A senhora faz parte de uma oposição na Assembleia Legislativa. Desse modo, como avalia a sua atuação na Casa? 

Luciane Bezerra - Eu me coloco como uma parlamentar de posicionamento, porque a oposição só vai criar força, fazer valer esse nome, quando existir um grupo que consiga apresentar resultados. O que acontece aqui não é oposição. Nós não temos um grupo forte e consolidado e por isso mesmo me considero mais de posicionamento. O que é favorável ao Estado, à população mato-grossense, eu estou junto, apoiando, votando a favor. Agora, o que é desrespeitando o povo, o que é atingindo o contribuinte e fazendo com que o Governo não faça o seu princípio básico, baseado no tripé Saúde, Educação e Segurança, e também na infraestrutura e logística, que Mato Grosso depende para sobreviver, aí enquanto deputada terei posicionamento. 

MidiaNews – E em relação à atuação da Assembleia Legislativa? 

Luciane Bezerra - Se a Casa tivesse mais parlamentares de oposição certamente Mato Grosso ganharia muito mais do que ganhou até hoje. Teríamos mais controle e uma fiscalização muito melhor da gestão do governador Silval Barbosa (PMDB). Até hoje a Casa fez o papel dela, em nenhum momento atrapalhou ou acabou conduzindo processos de uma forma que fizesse com que o Estado perdesse prazos ou recursos. O problema é que quando vem para cá, sempre chega em cima da hora. O próprio Governo não tem controle e organização. Então, quando os projetos chegam já estão com um tempo muito curto e nós como parlamentares queremos ter mais compreensão do que se trata e muitas vezes há atritos, pedido de vistas, e perde-se um ou dois dias.
MidiaNews – Se a oposição é quase inexistente, quem a tem feito de forma mais declarada? 

Luciane Bezerra – Tínhamos o companheiro Zeca Viana (PDT), que hoje está licenciado, mas está muito bem substituído pelo Márcio Pandolfi (PDT), e o Ademir Brunetto (PT), que também tem feito enfrentamento. É um número pequeno frente a um total de 24 parlamentares. 

MidiaNews – A senhora é uma crítica ferrenha ao Governo do Estado. Como a senhora o avalia? 

Luciane Bezerra – Nós sabemos que o governador Silval Barbosa (PMDB) é uma continuidade do ex-governador e atual senador Blairo Maggi (PR). Nós também sabemos que ele pegou um Governo que vinha com alguns compromissos anteriores. Isso é notório, até mesmo pela condução que está sendo tomada até hoje. Um dos problemas, no entanto, é que não se abre as contas do Estado e nós não sabemos de fato como Mato Grosso estava quando Silval pegou e como está hoje. Os deputados com mais posicionamento, críticos e com critérios caracterizam que a continuidade permanece. 

Eu acredito também que o Governo de Maggi caiu no colo de Silval e ele não estava preparado. Aliás, Silval não estava, não se preparou ao longo dos anos e vai terminar o mandato perdido. Pelo menos é essa visão que ele passa aos parlamentares e a população em geral. 

O governador não tem critérios, não tem prioridades e não tem organização em seu mandato. Ele não tem pulso firme de atuar, de mandar e de administrar. Isso prejudica um pouco a questão política e não digo nem mesmo a questão gerencial dele. Hoje o que parece é que o Estado de Mato Grosso tem vários governadores. Cada um coordena uma região, uma área, isso é comum na política, já que quem ajuda a eleger ajuda a governar, mas tem que ter um pulso firme. A população votou em Silval Barbosa, não em Silval mais fulano, cicrano ou beltrano. Eu acho que ele ainda não se conscientizou disso... 

MidiaNews - E a senhora acredita que ele vai terminar o mandato no próximo ano, sem essa conscientização? 

Luciane Bezerra – Eu acho que sim. Porque eu acreditava que agora ele viria com um posicionamento diferente. Primeiro ano ele foi uma continuidade, acreditei que no segundo colocaria a casa em ordem, porém, como foi ano eleitoral, Mato Grosso acabou sendo prejudicado e até mesmo a nível nacional por falta de repasses. Agora, no terceiro ano acreditávamos muito que o governador viesse com mais posicionamento em algumas questões, principalmente em Saúde e infraestrutura, só que os dois setores estão um caos, estão se arrastando e virando um problema de utilidade pública. Até as populações lá de Colniza, de Vila Rica ou do Sul do Estado estão passando pelos mesmos problemas. 

Não há um problema centralizado e o Governo não toma pulso. Hoje nós temos escândalos com Organizações Sociais no gerenciamento dos hospitais, temos escândalos com Comissões Parlamentares de Inquérito e até mesmo o Escândalo dos Maquinários, que o governador amarga desde que assumiu no lugar de Blairo. Temos vários escândalos e isso não abala o governo. Quando eu falo que fazer oposição é chutar cachorro morto é um pouco por conta disso. Porque você chuta, chuta e não tem reação nenhuma, não melhora em nada. A gente aqui está sem saber o que faz para poder ajudar o Governo. Aqui ninguém mais está vendo a questão político partidária e sim todos querem ajudar e não há feedback.

Para parlamentar, Silval esqueceu do interior e focou apenas na CopaPara parlamentar, Silval esqueceu do interior e focou apenas na Copa

MidiaNews - Nesse sentido, sobre Copa do Mundo, o Estado tenta convencer a população de que são 30 anos em 3. A senhora concorda? 

Luciane Bezerra – Esse discurso seria válido se o governador estivesse fazendo por um todo. Aí seria perfeito para Mato Grosso, mas não. Hoje Silval Barbosa se focou na Copa e está sacrificando todos os outros segmentos, toda a população e principalmente o interior em função da Copa. O que acontece é que o Mundial seria um evento em que todos ajudariam e quando eu falo todos é o interior, que falaria ‘ótimo, vamos ajudar, vamos apoiar’, mas hoje o que se nota é que o interior pegou birra da Copa. O interior hoje está com nojo da Copa de 2014. Por quê? Porque eles estão relacionando que a falta de investimentos e comprometimento do governador no interior é em função da Copa. E nós sabemos que os investimentos que vêm para o evento são específicos para ele, não são investimentos retirados da Saúde ou da Segurança. Tanto é que estamos endividando o Estado em um montante de mais de R$ 7 bilhões para que toda a estrutura venha. 

Quando eu digo que o governador deveria usar essa mesma estrutura financeira e de crédito para poder investir em outras áreas é nesse sentido. A Saúde também faz parte da responsabilidade estadual quanto ao projeto da Copa. Cadê que nós temos leito? Cadê que está se falando em abrir mais? Quando se fala em UTI nós temos que, infelizmente, rezar para um morrer ou ficar bom logo para salvar a vida do outro e isso é uma falta de humanidade e compromisso. Quando se fala em matrizes da Copa, não há cumprimento delas. O Governo focou só em uma coisa e está esquecendo a própria Copa. Segurança? Não se ouve falar, como poderemos proteger e sermos protegidos se não se investe? Acredito que Silval está usando o discurso errado para cobrir uma falta de capacidade de gerenciar o Estado de Mato Grosso. 

MidiaNews – E como a senhora avalia o Estado pós-obras da Copa? Teremos, realmente, um legado positivo? 

Luciane Bezerra – 
O reflexo dessa Copa nós só vamos sentir depois que se concluírem os governos estaduais e federais. Porque nós sabemos que Mato Grosso só vai sobreviver economicamente após o evento se a União fizer os investimentos necessários no Estado. Hoje quando se fala em crescimento, nós temos que pensar em duas linhas. Primeiro, a nossa infraestrutura e logística hoje já é insuficiente com a produção que nós temos, e a tendência é crescer, já que nossas áreas agricultáveis estão se ampliando, principalmente na região do Araguaia e Noroeste, como fazer para escoar esses produtos? 

Paralelo a isso, nós temos que nos preocupar com a industrialização, que só vai chegar quando a logística chegar. Quando houver as ferrovias, hidrovias e também melhorar nossas rodovias. Para isso, o que terá que ser feito? O próximo governador terá que ter pulso suficiente para cobrar do presidente para que o investimento – que é retirado devido a Lei Kandir – venha para nós. Só assim não vamos falar em crise em Mato Grosso. A Copa veio para mostrar o Estado para o Brasil, chamar atenção do Governo Federal, perfeito, ela fez o papel dela, mas também dependerá do próximo governador do Estado cobrar atitude da União para que não passemos por uma crise interna. 

MidiaNews – Com todas essas considerações e críticas a respeito do atual governador, a senhora acredita que o grupo de Silval Barbosa conseguirá fazer o sucessor no Palácio Paiaguás, haja vista que há grande possibilidade de o atual senador Blairo Maggi (PR) ser o candidato? 

Luciane Bezerra – Eu acredito que quem se aproximar de Silval Barbosa vai ter grandes dificuldades de conseguir a permanência no Governo. Isso incluso o senador Blairo Maggi, até mesmo porque ele foi o criador de Silval, ele deixou um Governo com compromissos e, partindo de agora, será uma continuidade. Claro, Blairo é uma liderança em Mato Grosso incontestável, pelo que fez, pelo que representa, pelo nome em nível nacional. Mas, junto com Silval, ele terá grandes problemas de conseguir uma vitória em 2014. 

MidiaNews – Falando de eleições do próximo ano, a senhora será a presidente em Mato Grosso do novo partido, Mobilização Democrática (MD), formado da junção de PPS e PMN. Em 2011, vimos a criação do PSD, que já nasceu forte nacionalmente e conta com a liderança do deputado estadual José Riva, aqui em Mato Grosso. A senhora acredita que o MD virá com essa mesma força? 

Luciane Bezerra – Sim, o MD nasce um partido muito mais forte do que era o PPS e o PMN aqui. Porém, há uma diferença entre PSD e MD. Logo após a questão da fidelidade partidária, o PSD foi criado como uma das poucas janelas no período de pré-eleição, onde muitos estavam querendo um espaço garantido para sair candidato. Isso ajudou a sigla a se consolidar e ser o que é hoje, além do que ninguém saía do PSD e sim entrava. Ao contrário disso, o MD hoje dá a oportunidade de quem estiver insatisfeito com essa junção de sair e automaticamente ele também é uma janela para entrar. Também não estamos em um período pré-eleição municipal, que é onde a movimentação é maior.
Diante disso nós estamos tendo alguns critérios para consolidar o MD para que ele nasça um partido forte, para que na próxima janela que houver não ocorra uma migração, que é o que acontece atualmente com o PSD. Nós temos recebido vários companheiros do PSD insatisfeitos com as promessas ou ideologias do partido e que querem somar com a Mobilização Democrática. Com isso, recebemos não só eles como de diversas outras legendas, mas sempre com o objetivo firmado no projeto de 2014, que é com o nome do senador Pedro Taques (PDT) ao Governo do Estado. Se caso esse projeto não se consolidar, vamos buscar ter nossa candidatura majoritária.

MidiaNews – Mas, a senhora é favorável à criação de partidos, em um momento, como a senhora mesmo colocou, que se cria um partido em um ano, há uma saída geral de outros, e assim sucessivamente? 

Luciane Bezerra – Hoje com a democracia que existe no Brasil eu sou favorável. Se um tem direito, todos têm, não pode ser diferenciado. Mas, fora isso, minha opinião pessoal é que o país tivesse dois partidos e que fossem direita e esquerda. Daí o Brasil ia andar porque ia ter oposição. Hoje não se vê oposição em níveis federal, estadual e municipal. 

MidiaNews - A senhora falou sobre o senador Pedro Taques, que foi convidado a se filiar ao MD. Ele já se posicionou sobre o assunto? 

Luciane Bezerra – Nesta semana eu estive em Brasília, fui ao gabinete do senador e reforcei o convite. Hoje o senador está no PDT e quanto a isso nós temos uma certa preocupação, porque o partido faz parte da base aliada da presidente Dilma Rousseff (PT) e o Taques faz uma oposição a Dilma. Nós ficamos preocupados com esse posicionamento, mas ele garantiu que dentro do PDT ele terá essa segurança de candidatura, mesmo assim nós vamos reforçar esse convite até o último dia de janela do MD para que tenhamos ele em nosso partido, que será um privilégio. 

MidiaNews – Caso não se consolide nem mesmo o apoio ao senador, vocês estudam outras possibilidades, como, por exemplo, do próprio Blairo Maggi ou seria impossível?
Luciane Bezerra – Nada é impossível na política. Nós sabemos que política é construção e não é uma opinião minha, por exemplo, que vai mudar todo um grupo. Todas nossas decisões passam pelo Movimento Mato Grosso Muito Mais (PDT, PPS, PSB, PV), é sempre visando o grupo, ouvindo as lideranças dos partidos. Hoje nada é descartável, mas tudo é construído. O apoio de Blairo a Pedro Taques ou vice-versa futuro. O que não pode é chegar de última hora dentro de um projeto que está sendo construído com antecedência e querer ‘chegar no segundo tempo e sentar na janelinha’. Aí eu acho que já não é justo com o grupo. 

MidiaNews - Mas, como a senhora avalia os candidatos de 2014, na disputa ao Palácio Paiaguás? 

Luciane Bezerra - 
Eu avalio um cenário muito favorável a Pedro Taques. Hoje ele é um nome que orgulha Mato Grosso com seu enfrentamento e posicionamento no Congresso. Nós sabemos que ele é hoje uma esperança para o povo mato-grossense. Dentro desse cenário, eu vejo ele como o nome mais confortável e mais fácil de ser construído isso. Cada partido e grupo vai construir seu nome e lutar para que esse nome seja emplacado pela sociedade. Claro, nós saímos com a vantagem porque o nome de Taques é muito bem avaliado. 

MidiaNews – A senhora é bastante crítica em relação ao deputado José Riva, inclusive vocês são do mesmo munícipio (Juara). De onde surgiu essa rixa? 
Luciane Bezerra – Essa oposição política ao deputado Riva surgiu desde quando Juara teve ele pela primeira vez como prefeito, em 1983. Ele se uniu ao grupo do Seu Zé Paraná, colonizador daquela região, assim como meus pais quando chegaram à cidade, nessa época eu ainda era pequena. 

Quando o deputado Riva assumiu a prefeitura, começou a haver uma rivalidade, já que ele começou a se colocar contrário a alguns posicionamentos do grupo. Houve um racha e dois grupos distintos foram criados. Desde então, é igual água e óleo, nunca se misturam. Porém, é só uma questão política de conduções e de pensamentos ideológicos políticos, não há nada pessoal. Não tenho nada contra o deputado José Riva, porém não frequento as mesmas rodas. 

MidiaNews – Há duas semanas, o deputado foi condenado pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso a se afastar da presidência, onde alterna há cinco mandatos o cargo com a Primeira Secretaria. O que a senhora achou da condenação? 

Luciane Bezerra – Eu avalio a condenação como um reflexo de condutas e atos que foram feitos de maneira errada antigamente. Se naquela época era permitido, se naquela época era aceitável, eu não estava na Casa. Eu falo como cidadã, se era legal, era imoral. Pelo que nós temos visto a Justiça já considerou como ilegal. Eu costumo dizer que quem planta colhe. Ele está simplesmente colhendo o que houve lá atrás de algumas irregularidades. Obviamente eu não acredito que foi unicamente ele, que também teve muito mais gente envolvida. 

Agora, sobre a alternância na Mesa Diretora, eu votei contra a eleição da em que ele estava presente por duas vezes. A gente quando está fora como cidadão tem um pensamento, a partir do momento em que é um parlamentar, com poder de voto e ação, aí tem que mostrar esse posicionamento. Isso eu fiz. Eu acredito que a Casa tem nomes muito bons para se fazer esse rodízio. Eu não concordo com a mesmice de ficar sempre nesse monopólio de poder. Se eu sou contrária a isso, eu acabo sendo contrária a ele. Já venho de um grupo político diferente e justamente porque eu não concordo com essas ideologias de ter partido como cacique ou coronel, ter a Assembleia como se fosse uma ramificação dos seus negócios. Eu não concordo com esse tipo de fazer política. Eu acredito que a política é saudável quando existe uma oxigenação de poderes, de mandatos e de lideranças. Só assim o povo tem como avaliar o potencial de todos e todos têm potencial e condições de assumir qualquer cargo aqui na Assembleia. O rodízio é interessante. 

MidiaNews - Em relação aos incentivos fiscais. Existe uma polêmica muito grande, atualmente, entre os poderes Legislativo e Executivo, além da opinião severa dos sindicalistas, de que deve haver uma transparência no processo. A senhora concorda com o modelo e o formato adotados no Estado? 

Luciane Bezerra – 
Eu sou a favor dos incentivos fiscais, até mesmo porque Mato Grosso é um local onde não há logística, infraestrutura e nem industrialização. O incentivo é necessário para que tenha um atrativo para que as empresas venham para Mato Grosso. Eu sou contrário ao formato que tem sido aplicado, hoje é uma caixa preta, um descontrole. A Assembleia não tem como fiscalizar, o próprio Tribunal de Contas do Estado tem certa dificuldade em fazer o controle e também pelo modelo que foi criado. 

Nós sabemos que quando foi criado ele veio com um objetivo, onde atendia as cadeias. Existiam as cadeias da madeira, do algodão, que levava para a industrialização do Estado. Nesse ponto, o comércio ficou fora, mesmo porque era o início da nossa industrialização. Como ela não veio e o pouco que veio foi tímida, com o passar do tempo eles foram costurando os incentivos fiscais e melhorando para outros segmentos como o comércio, que é o grande questionamento dos sindicalistas. 

Agora, eu não sou contra os incentivos para o comércio. Querendo ou não, hoje o setor gera emprego. Às vezes um comércio gera mais emprego que uma indústria. Até Mato Grosso se organizar para oferecer para a população algo diferente, onde a logística e a infraestrutura estejam comportadas, acho justo alguns comércios terem. O que eu sou contra é só o amigo do secretário, o amigo do governador, aí não. Se abre para uma empresa, abre-se para todas.
Eu também sou contra outros incentivos, estes esquecidos pelos sindicalistas e próprio Legislativo, que são relacionados a Secretaria de Fazenda. São renúncias fiscais na verdade, feitas por decretos e portarias, onde a maioria da população nem fica sabendo e isso é crime e o Governo do Estado vai resolver. 

MidiaNews – O seu marido, Oscar Bezerra, mesmo eleito prefeito de Juara, teve a candidatura impugnada pela Justiça Eleitoral. A decisão foi correta? 

Luciane Bezerra – Na verdade nós conseguimos comprovar que durante o pleito eleitoral o Oscar foi injustiçado por meio do juiz da primeira vara de Juara, que usou de rixa pessoal contra ele. No fim, o Tribunal Regional Eleitoral avalizou nossa justificativa, tanto é que quase todos que votaram contra meu esposo foram afastados por compra de sentença, ou seja, comprovamos a injustiça. Ainda houve outra injustiça que foi a ficha limpa, que retroagiu para oito anos, sendo que já tinha cumprido três anos e foi o que o tornou inelegível. Nós comprovamos tudo isso até o período de recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral, que não reconheceu os fatos novos dentro do processo e indeferiu o recurso de candidatura de Oscar. 

Agora nós estamos esperando o acórdão sair e na próxima semana vai tramitar e julgar e dentro disso nós vamos sentar com a bancada de advogados para entender o que é melhor para Juara. Uma coisa é certa, nós vamos recorrer, mas nada que atrapalhe o pleito eleitoral. Nessa tentativa, se der certo Oscar assume, se não nós já fizemos uma consulta no Tribunal Regional para saber se pode ser o candidato. 

MidiaNews – Durante muito tempo, a senhora foi a única deputada na Assembleia. O tratamento é diferenciado por ser mulher ou os deputados a respeitam no mesmo pé de igualdade? 

Luciane Bezerra –
 Eu acho que a representatividade é muito pouca. Eu sempre falo um dado muito interessante, que hoje nós temos de representação menos de 8% no Brasil e aqui no Estado e nós somos 52% do eleitorado, temos 30% já garantido em lei para registro de candidaturas, ou seja, de vagas, e somos só esses 8%. Se você me perguntar se esses dados significam um preconceito, eu te respondo que é por parte de nós mulheres, que não votamos em mulheres. Nós permitimos que a política seja machista. É diferente. Mas não por parte dos homens, que votam muito mais em mulheres, acreditam muito mais no potencial que nós mesmas. Até porque já conseguimos diversas vitórias nesses últimos 100 anos que foram vantajosas. Hoje nós competimos de igual para igual com os homens nas profissões e na capacidade de administração. Infelizmente na questão salarial ainda não nos igualamos e há uma briga de equiparação. Agora, de capacidade, ela é igual ao homem, capaz tanto quanto. Na política, ainda não chegamos nesse patamar. Nós temos que mudar nossa mentalidade e acreditar mais. Eu não faço um trabalho feminista dentro da Assembleia, a mulher vem brigando por tanto espaço e ela não quer defender uma bandeira feminista, ela quer muito mais do que isso. 

MidiaNews - Como a senhora avalia o seu futuro político? 

Luciane Bezerra – Hoje nós trabalhamos para que eu vá para uma reeleição, para dar continuidade, mas também estamos fazendo um trabalho dentro do MD e for consolidado o nome forte que estamos imaginando, meu nome será mais uma liderança dentro do grupo e aí sim vamos estar com nomes para concorrer a majoritárias de 2014. Vamos dar tempo a tempo. O que for melhor para o grupo, estarei ajudando.

 

 
 
 
 
 
 
 
 
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