Durante entrevista, Luciane Bezerra diz que fazer oposição em Mato Grosso é chutar cachorro morto
Luciane Bezerra entrou na política em 2010, segundo ela própria, como 90% das mulheres entram: quando, por algum motivo, o marido, já envolvido no meio, não pode concorrer à eleição. Se foi por acaso que entrou, não é por acaso que permanece.
Até a semana retrasada, ela era a única deputada estadual na Assembleia Legislativa a compor o quadro com mais 23 parlamentares homens.

Agora, divide o posto com Teté Bezerra (PMDB), que estava licenciada como titular da Secretaria de Turismo e Desenvolvimento (Sedtur) e teve que voltar às pressas porque seu suplente, Adalto de Freitas (PMDB), estava “cutucando” demais o Governo de Silval Barbosa (PMDB), do qual faz parte.
As “cutucadas” também são um forte de Luciane. Parte de uma fraca oposição – composta ainda por Márcio Pandolfi (PDT) e Ademir Brunetto (PT) –, a deputada critica o modus operandi de Silval e afirma que, se a Assembleia tivesse mais parlamentares oposicionistas, a condução do Estado seria mais criteriosa.
“Fazer oposição hoje é chutar cachorro morto. Você chuta, chuta e não tem reação nenhuma, não melhora em nada. Nós estamos sem saber o que faz para poder ajudar o Governo, que não apresenta resultado. Queremos ajudar e não vemos feedback”, disse.
Em vias de ser a presidente da Mobilização Democrática (MD) em Mato Grosso, novo partido criado da união de PPS com PMN, a deputada quer fortalecimento e foco em 2014.
“Nós nascemos muito mais fortes do que os partidos anteriores ao MD e, claro, nosso projeto é a eleição do próximo ano, em que queremos [o senador] Pedro Taques ao Governo. Se não der, vamos tentar sem ele”, observou.

Confira os principais trechos da entrevista de Luciane Bezerra ao MidiaNews.
MidiaNews – A senhora faz parte de uma oposição na Assembleia Legislativa. Desse modo, como avalia a sua atuação na Casa?
Luciane Bezerra - Eu me coloco como uma parlamentar de posicionamento, porque a oposição só vai criar força, fazer valer esse nome, quando existir um grupo que consiga apresentar resultados. O que acontece aqui não é oposição. Nós não temos um grupo forte e consolidado e por isso mesmo me considero mais de posicionamento. O que é favorável ao Estado, à população mato-grossense, eu estou junto, apoiando, votando a favor. Agora, o que é desrespeitando o povo, o que é atingindo o contribuinte e fazendo com que o Governo não faça o seu princípio básico, baseado no tripé Saúde, Educação e Segurança, e também na infraestrutura e logística, que Mato Grosso depende para sobreviver, aí enquanto deputada terei posicionamento.
MidiaNews – E em relação à atuação da Assembleia Legislativa?
Luciane Bezerra - Se a Casa tivesse mais parlamentares de oposição certamente Mato Grosso ganharia muito mais do que ganhou até hoje. Teríamos mais controle e uma fiscalização muito melhor da gestão do governador Silval Barbosa (PMDB). Até hoje a Casa fez o papel dela, em nenhum momento atrapalhou ou acabou conduzindo processos de uma forma que fizesse com que o Estado perdesse prazos ou recursos. O problema é que quando vem para cá, sempre chega em cima da hora. O próprio Governo não tem controle e organização. Então, quando os projetos chegam já estão com um tempo muito curto e nós como parlamentares queremos ter mais compreensão do que se trata e muitas vezes há atritos, pedido de vistas, e perde-se um ou dois dias.
MidiaNews – Se a oposição é quase inexistente, quem a tem feito de forma mais declarada?
Luciane Bezerra – Tínhamos o companheiro Zeca Viana (PDT), que hoje está licenciado, mas está muito bem substituído pelo Márcio Pandolfi (PDT), e o Ademir Brunetto (PT), que também tem feito enfrentamento. É um número pequeno frente a um total de 24 parlamentares.
MidiaNews – A senhora é uma crítica ferrenha ao Governo do Estado. Como a senhora o avalia?
Luciane Bezerra – Nós sabemos que o governador Silval Barbosa (PMDB) é uma continuidade do ex-governador e atual senador Blairo Maggi (PR). Nós também sabemos que ele pegou um Governo que vinha com alguns compromissos anteriores. Isso é notório, até mesmo pela condução que está sendo tomada até hoje. Um dos problemas, no entanto, é que não se abre as contas do Estado e nós não sabemos de fato como Mato Grosso estava quando Silval pegou e como está hoje. Os deputados com mais posicionamento, críticos e com critérios caracterizam que a continuidade permanece.
Eu acredito também que o Governo de Maggi caiu no colo de Silval e ele não estava preparado. Aliás, Silval não estava, não se preparou ao longo dos anos e vai terminar o mandato perdido. Pelo menos é essa visão que ele passa aos parlamentares e a população em geral.
O governador não tem critérios, não tem prioridades e não tem organização em seu mandato. Ele não tem pulso firme de atuar, de mandar e de administrar. Isso prejudica um pouco a questão política e não digo nem mesmo a questão gerencial dele. Hoje o que parece é que o Estado de Mato Grosso tem vários governadores. Cada um coordena uma região, uma área, isso é comum na política, já que quem ajuda a eleger ajuda a governar, mas tem que ter um pulso firme. A população votou em Silval Barbosa, não em Silval mais fulano, cicrano ou beltrano. Eu acho que ele ainda não se conscientizou disso...
MidiaNews - E a senhora acredita que ele vai terminar o mandato no próximo ano, sem essa conscientização?
Luciane Bezerra – Eu acho que sim. Porque eu acreditava que agora ele viria com um posicionamento diferente. Primeiro ano ele foi uma continuidade, acreditei que no segundo colocaria a casa em ordem, porém, como foi ano eleitoral, Mato Grosso acabou sendo prejudicado e até mesmo a nível nacional por falta de repasses. Agora, no terceiro ano acreditávamos muito que o governador viesse com mais posicionamento em algumas questões, principalmente em Saúde e infraestrutura, só que os dois setores estão um caos, estão se arrastando e virando um problema de utilidade pública. Até as populações lá de Colniza, de Vila Rica ou do Sul do Estado estão passando pelos mesmos problemas.
Não há um problema centralizado e o Governo não toma pulso. Hoje nós temos escândalos com Organizações Sociais no gerenciamento dos hospitais, temos escândalos com Comissões Parlamentares de Inquérito e até mesmo o Escândalo dos Maquinários, que o governador amarga desde que assumiu no lugar de Blairo. Temos vários escândalos e isso não abala o governo. Quando eu falo que fazer oposição é chutar cachorro morto é um pouco por conta disso. Porque você chuta, chuta e não tem reação nenhuma, não melhora em nada. A gente aqui está sem saber o que faz para poder ajudar o Governo. Aqui ninguém mais está vendo a questão político partidária e sim todos querem ajudar e não há feedback.
Para parlamentar, Silval esqueceu do interior e focou apenas na Copa






















